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Reforço Escolar

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Criado em 30 Julho 2012 Data de publicação

 

Maria Carmen Tacca (UnB): aluno, professor e conteúdo precisam se encontrar
Reforço escolar é importante e deve fazer parte do projeto pedagógico da escola


Na visão da professora e pesquisadora Maria Carmen Tacca, coordenadora do programa de pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, o reforço escolar é importante e deve fazer parte do projeto pedagógico da escola. Para ela, o momento destinado ao reforço escolar deve permitir o diálogo, a comunicação, a abertura do aluno para o trabalho do professor e não ser uma ocasião de apenas repetir os mesmos procedimentos e estratégias usados na sala de aula.


Graduada em pedagogia, com mestrado em educação, doutorado em psicologia, e pós-doutorado na área de psicologia, onde abordou a questão da aprendizagem relacionada à subjetividade humana, Maria Carmen diz que é preciso que o aluno, o professor e o conteúdo se encontrem. “Para isso, o professor precisa identificar as estratégias que se constituam em formas de compreender o pensamento do aluno para poder intervir nele”, ressalta.

Ela acredita que o professor deve ser um incansável questionador, para poder acompanhar as significações que o aluno dá aos conteúdos e, dessa forma, intervir na hora certa e com o argumento certo.

Jornal do Professor – Qual a diferença entre reforço escolar e aulas de recuperação?

Maria Carmen Tacca – Por um lado não há uma diferença conceitual entre as duas expressões – aulas de reforço, na prática, são aulas de recuperação. Podemos criar uma complementaridade entre as duas expressões na compreensão de que o reforço escolar visa à recuperação da aprendizagem. Da forma como essas expressões são compreendidas no senso comum, tanto uma como a outra visam que o aluno ganhe outra oportunidade de assimilar os conteúdos escolares que são propostos para a série ou ano que cursa dentro do processo de escolarização. O currículo escolar está organizado de forma a que cada série ou ano dentro de cada disciplina, tenha um grupo temático para ser desenvolvido pelos respectivos professores em suas aulas. Caso o aluno não logre a aprendizagem em qualquer um deles, pensa-se que isso deva ser perseguido e uma forma de fazê-lo é pela aula de reforço quando se oportuniza a recuperação.

JP – Quais as maiores dificuldades de aprendizagem dos alunos?

MCT – Não podemos identificar que a ruptura ou descontinuidade no processo de escolarização aconteça pela dificuldade dos alunos em aprender. Não podemos também identificar causas simples e generalistas para esse descompasso entre os objetivos que a escola tem e a aprendizagem dos alunos. A não aprendizagem é gerada em situação e contextos sociais bastante complexos e explicá-los é uma tarefa das pesquisas educacionais No meu pensar, está cada vez mais difícil os alunos encontrarem significações naquilo que a escola tem para lhes oferecer. Depois disso, vem uma dificuldade muito grande nos canais de comunicação entre professor e aluno, acrescido pela forma atrapalhada de desenvolvimento dos conteúdos básicos, tipo leitura e escrita. Atrapalhada quer dizer sem uma organização competente daquilo que o aluno deve aprender. Adotar métodos e novidades sem um domínio de sua aplicação e, ainda, o vai e vem ou a mistura de várias abordagens, leva a uma confusão que, muitas vezes afasta o aprendiz de uma apropriação clara e eficiente dos conteúdos. Não se pode dizer que apareçam maiores dificuldades nessa ou naquela disciplina, mas que aparecem maiores dificuldade quando professor e aluno não conseguem alcançar uma comunicação plena no processo ensino-aprendizagem.

JP – Qual a importância do reforço escolar? Ele pode contribuir para o aprendizado dos alunos? Por quê?

MCT – No distanciamento entre aluno e professor e, na medida em que aparecem as defasagens no processo de aprender, o reforço escolar torna-se muito importante, mas não um reforço em que o aluno é submetido aos mesmos procedimentos e estratégias utilizados na sala de aula. O professor precisa alcançar e decifrar o lugar e o momento do aluno e o aluno precisa alcançar os significados daquilo que o professor se propõe a ensinar. Se o momento da recuperação ou reforço escolar permite o diálogo, a comunicação, a abertura do aluno para o trabalho do professor, não tenho dúvidas de que a recuperação cria boas possibilidades de aprendizagem. No entanto, colocar os alunos com mais tempo na escola para fazer as mesmas atividades coletivizadas, indiferenciadas e despersonalizadas, tal como acontece nas salas de aula, dificilmente gerará impacto no aluno ou na sua aprendizagem. Nesse sentido o reforço não é importante.

JP – O reforço escolar deve fazer parte do projeto pedagógico da escola?

MCT – Penso que sim. Toda escola deve ter uma proposta de acompanhar o processo de aprendizagem dos seus alunos. A forma de realizar essa atividade deve estar articulada com o aluno que aprende. Levar aluno para aula de reforço para que ele execute atividades padronizadas não se constitui em proposta que, de fato, vai fazer diferença na aprendizagem dele. Mais tempo de aula, mais tempo com o professor, mais tempo executando atividades que visam apenas o conteúdo despersonalizado não justifica que isso esteja no Projeto Pedagógico da escola.

JP – Quem deve participar das aulas de reforço?

MCT – Qualquer aluno. Sempre que uma defasagem de aprendizagem se apresentar, o aluno merece ter uma atenção especial, seja na própria sala de aula ou em outro espaço e horário especiais. Sempre que o professor identificar que um aluno não logrou aprender aquilo que era esperado, é o momento dele investigar porque aconteceu o descompasso e fazer uma intervenção considerando o aluno e suas formas de funcionamento psicológico. O aluno pode não ter aprendido porque fez uma relação equivocada e, assim, é necessário investigar isso. Entendo a função do professor como a de investigador dos processos de aprender de seus alunos. Isso não significa ensino individualizado, mas acompanhamento do grupo, com atenção nas manifestações de cada aluno. Pode ser necessário instituir um horário específico para uma atenção mais individualizada, mas que se planeje isso de forma a entrar em sintonia com o aluno e não à revelia dele.

JP – Como devem ser as aulas de reforço? Que tipos de atividades não podem faltar?

MCT – As aulas de reforço devem acompanhar o aluno. Não adianta levar para ele exercícios padronizados, atividades copiadas de livros de forma indiferenciada. É preciso que o aluno, o professor e o conteúdo se encontrem. Para isso o professor precisa identificar as estratégias que se constituam em formas de compreender o pensamento do aluno para poder intervir nele. Isso significa ser um incansável questionador, pois será a partir de um diálogo inquiridor que se poderá acompanhar as significações que o aluno dá aos conteúdos e poder intervir na hora certa e com o argumento certo. O aluno precisa saber que pode ter dúvidas, que pode mostrar o que pensa e o professor precisa se apoiar nisso para dar uma direção no seu processo interventivo. Atividades para isso não podem faltar e devem ser diversificadas. Nesse sentido, a relação professor-aluno precisa ser de confiança. O aluno tem que confiar que seu professor está ao seu lado para ajudá-lo e o professor precisa acreditar que seu aluno pode aprender e que ele pode mais se receber a ajuda competente e criativa dele.

JP – Devem ser incluídas atividades lúdicas que possam tornar as aulas mais atrativas para os alunos?

MCT – Qualquer atividade que faça com que professor e aluno se compreendam melhor deve ser implementada e, nem sempre, a atividade lúdica é o caminho mais adequado para isso. No entanto, a atividade lúdica, quase sempre, atua descontraindo as tensões, fazendo com que a aluno se solte mais, se mostre mais. Isso permitirá ao professor ter mais informações sobre o aluno, possibilitando uma atuação pedagógica mais eficaz. O jogo é um recurso que permite o diálogo entre professor e aluno e é nesse encontro que, juntos, podem alcançar uma interessante e produtiva situação de ensino-aprendizagem.

JP – Os avanços dos alunos que participam de aulas de reforço devem ser avaliados? De que forma?

MCT – Qualquer momento em que professor e aluno se dispõem a estabelecer uma relação de ensino-aprendizagem a avaliação de ambos quanto ao processo em andamento se faz presente. Se o professor não avalia uma resposta ou uma manifestação do aluno não poderá dar continuidade em seu processo interventivo. O aluno também é perspicaz e avalia constantemente a reação do professor frente às respostas que dá. Os avanços serão sempre identificados quando a atuação docente é investigadora, pois é nisso que ele pode identificar o próximo passo. A avaliação é inerente ao processo. Ela acontece e dirige e isso é importante.

Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/index.html

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